terça-feira, 26 de agosto de 2008

Importância econômica para o Brasil com a vinda dos japoneses

O crescimento industrial do Japão e o período que foi chamado de “milagre econômico brasileiro”, dá origem a grandes investimentos japoneses no Brasil. Os nisseis acabam sendo uma ponte entre os novos japoneses e os brasileiros. As famílias agrícolas estabelecidas procuram novas oportunidades buscando novos espaços para seus filhos. Projetos como o do cerrado são abraçados por vários nikkeis, por exemplo, o de São Gotardo/MG, iniciou-se em abril de 1974.
O grande esforço familiar para o estudo de seus filhos faz com que grande número de nikkeis ocupe vagas nas melhores universidades do País. O rápido crescimento econômico japonês obrigou as indústrias a contratar mão-de-obra estrangeira para os trabalhos mais pesados ou repetitivos. Disso, resultou o movimento “dekassegui” por volta de 1985, que foi aumentando à medida que os planos econômicos brasileiros fracassavam.
Parte da família deixava o País como dekassegui, enquanto a outra permanecia para prosseguir os estudos ou os negócios da família. Isso ocasionou problemas sociais, tanto por parte daqueles que não se adaptaram à nova realidade, como daqueles que foram abandonados pelos seus entes e até perderam contato.Com o passar dos anos, surgiram muitas empresas especializadas em agenciar os dekasseguis, como também firmas comerciais no Japão que visaram especificamente o público brasileiro. Em algumas cidades formaram-se verdadeiras colônias de brasileiros.
Com a aproximação dos 100 anos da imigração japonesa a ser comemorada em 2008, parte da comunidade nipo-brasileira se organiza para as festividades, esperando deixar uma obra importante para as futuras gerações. Em 2004, pela primeira vez, o primeiro-ministro Junichiro Koizumi visita o Brasil e se emociona em Guatapará, o berço da imigração japonesa.

domingo, 24 de agosto de 2008

A Influência sagrada

O que a religião deles influenciou no nosso país, onde foram instalados seus templos...
Os imigrantes japoneses que vieram para o Brasil trouxeram também muitas influências religiosas, que conquistaram não só seus descendentes. Em Cafelândia, a 427 km de São Paulo, fica o templo budista considerado o primeiro instalado na América Latina. Ele foi construído no século passado pelos primeiros japoneses que foram morar na região.
Da construção original, de 1932, não sobrou nada. O atual templo é da segunda construção, realizada em 1950. A imagem de Buda e todos os ornamentos foram trazidos do Japão. Hoje, o templo passa a maior parte do tempo fechado. Só em ocasiões especiais ele é aberto.
Mais recente que o budismo, mas não menos importante para os imigrantes, a Seicho-no-iê é outra crença oriental que chegou por aqui por causa da imigração. A crença foi fundada em 1930 no Japão. A Seicho-no-iê tem elementos do xintoísmo, budismo e cristianismo.
Se no inicio a comunidade era formada na maioria por descendentes e japoneses, hoje a realidade é outra. A religião conquistou muitos outros adeptos. “Ela prega o modo feliz de viver através das suas atitudes mentais, do seu acreditar em Deus, único criador do universo. E o nome tem a tradução ‘Lar de um progredir infinito”, explica a palestrante Tomi Tadano.
Quem segue outras religiões e quer freqüentar as palestras é recebido sem restrições. As crianças também recebem orientação.
Outra crença é a Tenrikyo. Sua igreja mais antiga no Brasil fica em Marília, a 444 km da capital paulista. Ela foi fundada em 1936 e ainda preserva a arquitetura original. Ela foi toda construída em madeira. Na época, tudo era um grande cafezal.
Segundo a história da Igreja, em 1838, uma dona de casa que morava na zona rural, recebeu uma revelação de Deus. Mesmo sendo analfabeta, ela passou a escrever. Junto com a igreja de Marília, outras quatro foram construídas no interior paulista.
A sede no Brasil fica em Bauru, a 343 km de São Paulo. Antes das 6h15 da manhã os fiéis vão chegando, e logo a igreja fica cheia. Todos vestem a roupa usada na cerimônia. Assim que os condutores entram no altar, dão inicio ao ritual. Os mais graduados começam a tocar os instrumentos e a orar.
A religião que chegou ao Brasil com os imigrantes hoje se abre a toda a comunidade. Há fiéis de origem totalmente brasileira que freqüentam e já são missionários.

Uma culinaria um tanto quanto diferente.


Os imigrantes japoneses inicialmente se instalaram no interior do estado de São Paulo. Os restaurantes mais formais surgiram no bairro da Liberdade em SP, onde ha a concentração dos imigrantes orientais na capital.
Inicialmente os brasileiros encaravam o sushi e seus derivados como uma comida exótica, e demoraram para gostar. Esta resistência inicial explica o fato da apresentaçãoo de um cardápio variado, fugindo da tradicional especialização.
A maioria dos restaurantes japoneses servem tanto sushi quanto comidas quentes. O oceano atlântico, que banha o Brasil, não possui a variedade de peixes e mariscos. Isto empobrece o cardápio pois muitos produtos precisam ser importados.
Nos últimos anos a proliferação de restaurantes japoneses foi significativa, e e apreciada por crianças jovens e adultos. Alguns motivos desta explosão são explicadas pelo prato exótico e extravagante, sendo saudável, fresco, sem gorduras e frituras.

E porque vieram pra cá ?


Os motivos pelos quais o Brasil foi o pais que os japoneses escolheram para migrar.



Necessidade de emigração no Japão

O Japão estava superpovoado no século XIX. O país tinha ficado isolado do Mundo durante os 265 anos do período Edo (Xogunato Tokugawa), sem ter havido guerras, epidemias trazidas do exterior ou emigração. Com as técnicas agrícolas da época, o Japão produzia praticamente apenas o alimento que consumia, sem formação de estoques. Qualquer quebra de safra agrícola causava fome generalizada.
O fim do Xogunato Tokugawa deu espaço para um intenso projeto de modernização e abertura para o exterior durante a era Meiji. Apesar da reforma agrária, a mecanização da agricultura desempregou milhares de camponeses. Outros milhares de pequenos camponeses ficaram endividados ou perderam suas terras por não poder pagar os impostos, que, na era Meiji, passaram a ser cobrados em dinheiro, enquanto antes eram cobrados em espécie (produção agrícola).
Os camponeses sem terra foram para as cidades que ficaram ficaram saturadas. As oportunidades de emprego tornaram-se cada vez mais raras, formando uma massa de trabalhadores miseráveis.
A política emigratória colocada em prática pelo governo japonês tinha como principal objetivo aliviar as tensões sociais devido à escassez de terras cultiváveis a ao endividamento dos trabalhadores rurais, permitindo assim a implementação de projetos de modernização.
A partir da década de 1880, o Japão incentivou a emigração de seus habitantes por meio de contratos com outros governos. Antes do Brasil, já havia emigração de japoneses em grande quantidade para os Estados Unidos (principalmente Havaí), Peru e México. No início do século XX, também houve grandes fluxos de emigração japonesa para colonizar os territórios recém-conquistados da Coréia e Taiwan. Somente Brasil, Estados Unidos e, em certa medida, o Peru, formaram grandes colônias de descendentes de japoneses. Os colonos japoneses instalados na Coréia e Taiwan retornaram ao Japão depois do fim da Segunda Guerra Mundial.



Necessidade de imigração no Brasil

Ryu Mizuno (centro), que organizou a primeira viagem de imigrantes japoneses ao Brasil
Com a expansão das plantações de café, faltava mão-de-obra na zona rural paulista no final do século XIX e no início do século XX.
O Japão, que só tinha se aberto para o comércio mundial em 1846, até então era considerado muito distante física e politicamente do Brasil. O primeiro Tratado da Amizade, Comércio e Navegação entre Brasil e Japão foi assinado apenas em 5 de novembro de 1895.
Além disto, a política de imigração brasileira era executada não só como um meio de colonizar e desenvolver, mas também de "civilizar" e "branquear" o país com população européia. A imigração de chineses e japoneses foi praticamente proibida em 1890. Neste ano, o decreto nº 528 assinado pelo presidente Deodoro da Fonseca e pelo ministro da Agricultura Francisco Glicério determinava que a entrada de imigrantes da África e da Ásia seria permitida apenas com autorização do Congresso Nacional. O mesmo decreto não restringia, até incentivava, a imigração de europeus. Somente em 1892, foi aprovada a lei nº 97 que permitia a entrada de imigrantes chineses e japoneses no Brasil e, assim, o decreto nº 528 de 1890 perdeu seu efeito.
Por volta de 1901, o governo do Brasil começou a estudar o recebimento de imigrantes japoneses, entretanto o preconceito era forte. Todos orientais eram considerados raças inferiores que prejudicariam o "branqueamento" que ocorria no Brasil com o recebimento de imigrantes europeus. Havia também o medo do "perigo amarelo", isto é, que as grandes populações de orientais (chineses e japoneses) se espalhassem étnica e culturalmente pelas Américas. O medo do "perigo amarelo" tinha sido exacerbado pelo expansionismo militarista do império nipônico que, buscando conquistar terras para colonizar, derrotou a China em 1895 e a Rússia, em 1905 (a primeira derrota de um país europeu em frente a um não-europeu nos tempos modernos). Finalmente, havia o sentimento de que o imigrante japonês era um "quisto inassimilável".
O encarregado de negócios da primeira missão diplomática brasileira no Japão, Manuel de Oliveira Lima, foi consultado em 1901 e deu parecer contrário ao projeto de recebimento de imigrantes japoneses. Escreveu então ao Ministério das Relações Exteriores alertando sobre o perigo de o brasileiro se misturar com "raças inferiores".
Francisco José de Oliveira Viana, autor do livro clássico "Populações Meridionais do Brasil" (publicado em 1918), e Nina Rodrigues, criador da Medicina Legal no Brasil, foram os grandes ideólogos do "branqueamento" do Brasil. Oliveira Viana propagava o antiniponismo pois comsiderava que "o japonês [fosse] como enxofre: insolúvel".
Em 1902, o governo da Itália proibiu a imigração subsidiada de italianos para o Brasil. As fazendas de café sentiram a falta de trabalhadores com a diminuição da chegada de italianos e o governo brasileiro, então, precisou reconsiderar sua posição quanto ao recebimento de imigrantes japoneses. Em 1907, o Brasil criou a "Lei de Imigração e Colonização" que regularizou a entrada de todos imigrantes e acabou definitivamente com as restrições do decreto nº 528 de 1890.

Pra onde eles vieram



Os lugares para onde os imigrantes foram assim que chegaram.



A partir de 1920, com a ampliação do sistema de colonização de terras virgens no interior de São Paulo, o fluxo de imigrantes japoneses para o Brasil acelerou-se. Embora os imigrantes se dedicassem principalmente à atividade agrícola, os japoneses fundaram cidades como Bastos e Tietê, que hoje são importantes polos urbanos regionais do interior paulista, fundadas em 1928. Outras cidades, como Iguape e Registro no litoral sul paulista, concentraram muitas colônias de imigrantes desde 1917, e cresceram com a produção agrícola implementada pelos japoneses, especialmente no cultivo da banana e do chá. Já no interior os japoneses dedicaram-se a outros produtos, principalmente ao café e ao algodão, que na época era muito valorizado por ser matéria-prima básica da indústria têxtil. Em 1929 os primeiros japoneses desbravadores da região amazônica instalaram-se em Acará, no Pará (atual Tomé-Açú). No mesmo ano outras colônias foram assentadas no Paraná (Londrina) e em Goiás (Anápolis). Também naquele ano a Quebra da Bolsa de Nova York causou uma forte desvalorização do café brasileiro no mercado internacional, o que afetou muitos imigrantes. Aquela crise, acrescida do fato de que a população urbana no Brasil passou a crescer, levou muitos japoneses a se dedicarem ao plantio de arroz, feijão, batata e tomate para abastecer as cidades.
A imigração japonesa para o Brasil, apesar do apoio governamental, era essencialmente realizada por empresas privadas, entre as quais destacou-se a Kaigai Ijuu Kumiai Rengokai (Confederação das Cooperativas de Emigração) no Japão, fundada em 1927, e sua filial brasileira, a Bratac (contração de Brasil Takushoku Kumiai Ltda., ou "Sociedade Colonizadora do Brasil"). Em 1932 o Consulado Geral do Japão em São Paulo divulgou que 132.689 japoneses já haviam imigrado, e que mais 25 mil e 800 pessoas já tinham autorização para entrar no país no ano seguinte. Entretanto, desde 1930 o Brasil estava sendo comandado por Getúlio Vargas, militar que tomou o poder num golpe de estado, implantando um regime autoritário populista batizado de Estado Novo. A simpatia do governo novo por líderes autoritaristas europeus da época, como Mussolini e Hitler, refletiu-se no Brasil na forma de discussões a partir de 1932 visando baixar normas para restringir a entrada de imigrantes japoneses no país.

No período anterior à 2ª Guerra Mundial (1939-1945), os imigrantes japoneses tinham comportamento e valores parecidos com os dos atuais dekasseguis (brasileiros que emigram para o Japão a trabalho). Os imigrantes não vinham com o intuito de permanecer para sempre na nova pátria, mas o de economizar e voltar em alguns anos para a terra natal. Isso fez com que muitas famílias de imigrantes adotassem estilos de vida espartanos, até mesmo avaros, o que na época gerou um dito popular de que se podia "reconhecer o sítio de um japonês pela beleza de suas plantações e pela miséria de sua casa". E como a intenção era de retornar ao Japão, os imigrantes faziam muita questão de que seus filhos fossem educados como japoneses e que freqüentassem escolas japonesas. Em 1938 haviam em São Paulo 294 escolas japonesas (a título de comparação, haviam 20 escolas alemãs e 8 italianas). Mas haviam sinais de que muitos imigrantes já tinham o intuito de adotar o Brasil como nova pátria definitiva. O primeiro e mais claro sinal foi o início da construção do Nippon Byoin (Hospital Japão), atual Hospital Santa Cruz em São Paulo, em 1936. No mesmo ano um manifesto escrito por Kenro Shimomoto, primeiro advogado nipo-brasileiro, reconhecendo o Brasil como sua pátria, gerou polêmica na comunidade.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Vídeos

Um pouco da história dessa imigração.

Reportagem especial

Origami


A arte japonesa de dobrar papel que virou mania entre os brasileiros.



Acredita-se que no Brasil, a arte do Origami foi introduzida de duas maneiras: uma através de nosso país vizinho, a Argentina que possui muita influência da cultura espanhola e outra, através dos imigrantes japoneses que aqui vieram, a partir de 1908. Na Argentina, uma das heranças culturais trazidas pelos espanhóis foi a tradição de dobrar papel, que na época foi influenciada pelos artigos escritos pelo filósofo espanhol Miguel Unamuno, que era reitor da Universidade de Salamanca. Mais tarde dois europeus emigraram para a Argentina: Dr. Vicente Solórzano Sagredo e Giordano Lareo que publicaram livros no final da década de 30 sobre o assunto. Estes conhecimentos acabaram se espalhando por alguns países da América do Sul.
Por outro lado, quando os japoneses emigraram para o Brasil, trouxeram com eles vários costumes japoneses que aqui procuraram preservar, entre eles, o Origami. Um destes imigrantes, chamado Takao Kamikawa, chegou com a família no ano 9 da era Showa para trabalhar nas fazendas de café.
Dizem que ele costumava aos domingos reunir as crianças na Fazenda Barracão na cidade de Bauru e com pedaços de jornais que ele ajuntava e cortava em quadrados, entretia a criançada com figuras como "damashibune, hakama, tsuru, etc". Trouxe consigo do Japão, um livro chamado "Konreikagami" de Matsuaki Futaba, da editora Dainipon Reisetsu Gakuin Shupan-bu sobre todo o cerimonial religioso do casamento, onde aparece o modo de dobrar algumas figuras como noshi e outros ornamentos feitos de papel ultilizados na cerimônia. Ele costumava fazer todos estes enfeites e em festas decorava o salão com vários tsurus, como mostram as fotos tiradas em 1952.
Na década de 80, os alunos de origami eram na maioria pessoas ligadas à educação ou donas de casa que queriam aprender origami para ensinar a seus filhos. No início dos anos 90, houve uma diversidade de público: pessoas das mais variadas profissões procuravam os cursos, muitos diziam que era para relaxar, para combater o estresse. Além de professores, havia médicos, psicoterapeutas, bancários, engenheiros, etc. Hoje recebo convites de empresas e hospitais para dar workshops na semana de saude. Isto demonstra que o Origami está sendo reconhecido como uma forma de melhorar a qualidade de vida do funcionário de uma empresa e como forma de integração.
Como fazer um coração de origami (:

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Gerações

A colônia japonesa do Brasil está dividida em:

● isseis (japoneses de primeira geração, nascidos no Japão) 12,51%;
● nisseis (filhos de japoneses) 30,85%;
● sanseis (netos de japoneses) 41,33%;
● yonseis (bisnetos de japoneses) constituem 12,95%


Atualmente, existem no Brasil 1,5 milhão de japoneses e descendentes, sendo 80% no Estado de São Paulo e a maioria na capital (326 mil segundo o censo de 1988). Da comunidade japonesa no Brasil, 90% vivem nas cidades. O bairro da Liberdade, no centro da capital paulista, representa o marco da presença japonesa na cidade. Outros focos importantes de presença japonesa no Brasil são o Paraná, o Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e o Pará.

A primeira geração
A imensa maioria dos imigrantes japoneses tinha a pretensão de enriquecer no Brasil e retornar para o Japão em, no máximo, três anos. Todavia, o enriquecimento rápido em terras brasileiras era um sonho quase impossível de se alcançar. Submetido a horas exaustivas de trabalho, o imigrante tinha um salário baixíssimo: o preço da passagem era descontado no salário. Ademais, tudo o que o imigrante consumia deveria ser comprado na mão do fazendeiro. Em pouco tempo as dívidas se tornavam quase impagáveis.
A geração nascida no Japão foi aquela que mais dificilmente se adaptou ao Brasil. A barreira do idioma, os hábitos alimentares, o vestuário, o modo de vida e as diferenças climáticas acarretaram em um choque cultural extremo. Com o almejo de retornar o mais breve possível ao Japão, os imigrantes não se preocupavam em se integrar ao Brasil. Uma parcela considerável nunca aprendeu a falar o português.
Eis que, através de um sistema de parceria com o fazendeiro, muitos japoneses conseguiram comprar seus primeiros pedaços de terra. Após algum tempo de plantação, o imigrante tinha o direito de receber uma parcela da última. Tal ascensão social no Brasil resultou, para a grande maioria dos imigrantes, a permanência definitiva no Brasil.

A segunda geração
O Bairro da Liberdade com suas características japonesas.A primeira geração nascida no Brasil viveu de forma semelhante aos pais imigrantes. Ainda dominados pelo desejo de regresso ao Japão, os imigrantes educavam seus filhos dentro da cultura japonesa. As crianças eram educadas em escolas japonesas fundadas pela comunidade. A predominância do meio rural facilitou tal isolamento. Cerca de 90% dos filhos de japoneses falavam japonês em casa. É de notar que muitos brasileiros de origem japonesa ainda possuem dificuldades em falar o português.
A segunda geração de japoneses no Brasil viu, definitivamente, sepultada a esperança de retornar ao Japão. A eclosão da II Guerra Mundial abalava a terra natal. Era mais seguro permanecer no Brasil. Muitos imigrantes começam a chegar neste período, atraídos pelos parentes que já tinham imigrado. Na década de 1930, o Brasil já abrigava a maior população de japoneses fora do Japão.
Quando o Brasil declarou guerra ao Japão, a comunidade japonesa foi diretamente atingida. A língua japonesa foi proibida de ser falada no País. As escolas japonesas foram fechadas. Em meio à situação, surgiu o Shindo Renmei, uma organização extremista japonesa criada no Brasil.

Shindo Renmei
O coronel aposentado Junji Kikawa fundou pouco após o final da guerra a organização secreta Shindo Renmei ("liga do caminho dos súditos", em japonês), para impedir as "notícias falsas da derrota" de se espalharem e para se matar os "derrotistas", também apelidados "Corações Sujos" (que batizou um livro sobre a organização escrito por Fernando Morais e lançado em 2000).
Durante a Segunda Guerra Mundial, alguns japoneses radicais protestavam contra a posição brasileira na guerra e criavam panfletos pedindo a destruição do cultivo de seda (usada para pára-quedas, por exemplo) e hortelã (o mentol poderia aumentar a potência da nitroglicerina, era usado para resfriar motores e podia ser tóxico).
A maioria dos 200 mil imigrantes não aceitaram a derrota em 1945, e assim a colônia se dividiu em "derrotistas" (makegumi), menos de 20% da população, e os "vitoristas" (katigumi).

Essa organização pretendia propagar no Brasil a idéia de que o Japão não tinha perdido a Guerra, pois seria uma invenção dos Estados Unidos para enfraquecer o Japão. Os imigrantes japoneses eram fiéis ao Imperador do Japão, Hirohito, e grande parte tornou-se membro da organização.
Praça do Japão, em Curitiba.Quando o Brasil declarou guerra ao Japão, os japoneses passaram a ser perseguidos pelo governo brasileiro, e assim como aconteceu com as comunidades alemã e italiana do Brasil, a língua japonesa foi proibida de ser falada no País. Escolas japonesas foram fechadas e manifestações culturais nipônicas proibidas em território brasileiro.
O Shindo Renmei perseguiu os japoneses que acreditaram que o Japão realmente tinha perdido a guerra, entre katigumis e makegumis foram mortos oficialmente 23 pessoas entre 1946 e 1947. A organização perdeu força a partir do final de 1947, quando o governo do General Dutra, após interrogar 30 mil pessoas, prendeu mais de 300 suspeitos e condenou à expulsão do território nacional 155 japoneses, decisão esta que nunca foi colocada em prática.

A terceira geração
Armazém japonês em São Paulo.A partir da terceira geração no Brasil, os descendentes de japoneses passaram a se abrir definitivamente à sociedade brasileira. Os avós imigrantes trabalharam duro no campo para que seus filhos e netos tivessem futuro no Brasil. Ocorre, sobretudo na década de 1960, um grande êxodo rural dentro da comunidade nipo-brasileira. Os japoneses saem do campo e rumam para as cidades para concluir os estudos. A cidade de São Paulo torna-se, assim, a cidade com maior número de japoneses fora do Japão.
No ambiente urbano, os japoneses começaram a trabalhar em ramos ainda com raízes campestres. Pequenos armazéns foram abertos, onde vendiam produtos agrícolas, como frutas e legumes ou peixes. Os mais jovens se dedicaram aos estudos. Formaram-se em larga escala nas áreas biológicas e de exatas. Os descendentes de japoneses mudaram a paisagem de onde se aglomeraram. O Bairro da Liberdade é um exemplo da força da comunidade nipo-brasileira.

A quarta geração
Os bisnetos de japoneses, em sua maioria adolescentes e jovens, são os mais integrados ao Brasil. Exemplo disso é a miscigenação: 61% têm alguma origem não-japonesa. Os traços mestiços predominam entre esta nova geração. Os vínculos com o Japão ancestral são mínimos: a maioria sabe falar pouco ou nada de japonês.

Identidade brasileira no Japão


No Japão, muitos nipo-brasileiros sofrem preconceito por não terem
fluência na língua japonesa. Apesar de sua aparência japonesa, imigrantes brasileiros no Japão são culturalmente brasileiros e são tratados pelos japoneses como qualquer outro estrangeiro. Os brasileiros no Japão formam a maior comunidade de falantes de português na Ásia, superando todas as ex-colônias portuguesas na região, como Macau e Goa. Os filhos dos brasileiros são, muitas vezes, isolados nas escolas japonesas por não falarem bem o idioma japonês. Milhares de crianças brasileiras se encontram fora da escola no Japão.
Estudiosos constatam que, no Brasil, muitos nipo-brasileiros se sentiam (e, muitas vezes, eram vistos) como japoneses. Todavia, quando imigram para o Japão, os descendentes de japoneses percebem que são totalmente brasileiros, fazendo surgir um forte sentimento de "identidade brasileira" na comunidade. Isto se constata no sentimento de unidade dos brasileiros no Japão, que se organizam para promover carnavais ao som de samba em diversas cidades japonesas, vendendo comida da culinária do Brasil. De acordo com os estudiosos, os nipo-brasileiros fazem questão de exibir sua origem brasileira, e esta é a forma encontrada pelos descendentes de japoneses para demonstrarem a sua identidade brasileira em terras japonesas.

Razões da imigração


O Japão vivia uma crise demográfica desde o final do século XIX.
O campo e as cidades japonesas estavam superpovoados, de modo que, com as técnicas agrícolas da época, produzia-se apenas o que se consumia, sem formação de estoques. Qualquer quebra de safra agrícola causava fome generalizada.
O fim do feudalismo deu espaço para a mecanização da agricultura, o que desempregou milhares de camponeses. Outros milhares de pequenos camponeses perderam suas terras por não poder pagar os impostos, que passaram na era Meiji a ser cobrados em dinheiro, enquanto antes eram cobrados em espécie (produção agrícola).
Os camponeses sem terra foram para as cidades que ficaram ficaram saturadas. As oportunidades de emprego tornaram-se cada vez mais raras, formando uma massa de trabalhadores miseráveis.
A partir da década de 1880, o Japão incentivou a imigração de seus habitantes por meio de contratos com outros governos. Antes do Brasil, já havia imigração de japoneses em grande quantidade para os Estados Unidos (principalmente Havaí), Peru e México. No início do século XX, também houve gandes fluxos de imigração japonesa para colonizar os territórios recém-conquistados da Coréia e Taiwan. Somente Brasil, Estados Unidos e, em certa medida, o Peru, formaram grandes colônias de descendentes de japoneses. Os colonos japoneses instalados na Coréia e Taiwan retornaram ao Japão depois do fim da Segunda Guerra Mundial.
O Japão, que só tinha se aberto para o comércio mundial em 1846, até então era considerado muito distante física e politicamente do Brasil. O primeiro Tratado da Amizade, Comércio e Navegação entre Brasil e Japão foi assinado apenas em 5 de novembro de 1895.
Faltava mão-de-obra na zona rural paulista no início do século XX. Por volta de 1901, o governo do Brasil começou a estudar o recebimento de imigrantes japoneses, entretanto o preconceito era forte. Japoneses, assim como todos orientais, eram considerados raças inferiores que prejudicariam o "branqueamento" que ocorria no Brasil com o recebimento de imigrantes europeus. Havia o medo do "perigo amarelo", isto é, que as grandes populações de orientais (chineses e japoneses) se espalhassem etnica e culturalmente pelas Américas. Este medo tinha sido exacerbado pelo expansionismo militarista do império nipônico que derrotou a China em 1895e a Rússia, em 1905 (a primeira derrota de um país europeu em frente a um não-europeu nos tempos modernos). Finalmente, havia o sentimento de que o imigrante japonês era um "quisto inassimilável".
O encarregado de negócios da primeira missão diplomática brasileira no Japão, Manuel de Oliveira Lima, foi consultado em 1901 e deu parecer contrário ao projeto de recebimento de imigrantes japoneses. Escreveu então ao Ministério das Relações Exteriores alertando sobre o perigo de o brasileiro se misturar com "raças inferiores.
Francisco José de Oliveira Viana, autor do clássico "Populações Meridionais do Brasil" (1918), foi um dos ideólogos do antiniponismo, e escreveu que "o japonês é como enxofre: insolúvel".
Em 1902, o governo da Itália proibiu a imigração subsidiada de italianos para o Brasil. As fazendas de café sentiram a falta de trabalhadores com a diminuição da chegada de italianos e o governo brasileiro, então, precisou reconsiderar sua posição quanto ao recebimento de imigrantes japoneses. Em 1907, o Brasil criou a Lei de Imigração e Colonização que regularizou a entrada de todos imigrantes.

Imigração Japonesa no Brasil

A História da Imigração Japonesa no Brasil, a chegada no Kasato Maru, os primeiros imigrantes, a cultura japonesa no Brasil, as dificuldades e as contribuições culturais para a formação da cultura brasileira


No ano de 2008, vamos comemorar, aqui no Brasil, 100 anos da
imigração japonesa. Foi em 18 de junho de 1908, que chegou ao porto de Santos o Kasato Maru, navio que trouxe 165 famílias de japoneses. A grande parte destes imigrantes era formada por camponeses de regiões pobres do norte e sul do Japão, que vieram trabalhar nas prósperas fazendas de café do oeste do estado de São Paulo.
No começo do século XX, o Brasil precisava de mão-de-obra estrangeira para as lavouras de café, enquanto o Japão, passava por um período de grande crescimento populacional. A economia nipônica não conseguia gerar os empregos necessários para toda população, então, para suprir as necessidades de ambos países, foi selado um acordo imigratório entre os governos brasileiro e japonês.
Nos primeiros dez anos da imigração, aproximadamente quinze mil japoneses chegaram ao Brasil. Este número aumentou muito com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Pesquisas indicam que de 1918 até 1940, aproximadamente 160 mil japoneses vieram morar em terras brasileiras. A maioria dos imigrantes preferiam o estado de São Paulo, pois nesta região já estavam formados bairros e até mesmo colônias com um grande número de japoneses. Porém, algumas famílias espalharam-se para outros cantos do Brasil como, por exemplo, agricultura no norte do Paraná, produção de borracha na Amazônia, plantações de pimenta no Pará, entre outras.
O começo da imigração foi um período difícil, pois os japoneses se depararam com muitas dificuldades. A língua diferente, os costumes, a religião ,o clima, a alimentação e até mesmo o preconceito tornaram-se barreiras à integração dos nipônicos aqui no Brasil. Muitas famílias tentavam retornar ao país de origem, porém, eram impedidas pelos fazendeiros, que as obrigavam a cumprir o contrato de trabalho, que geralmente era desfavorável aos japoneses. Mesmo assim, eles venceram estes problemas e prosperam. Embora a idéia inicial da maioria fosse retornar para a terra natal, muitos optaram por fazer a vida em solo brasileiro obtendo grande sucesso.
Durante o período da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os japoneses enfrentaram muitos problemas em território brasileiro. O Brasil entrou no conflito ao lado dos aliados, declarando guerra aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Durante os anos da guerra a imigração de japoneses para o Brasil foi proibida e vários atos do governo brasileiro prejudicaram os japoneses e seus descendentes. O presidente Getúlio Vargas proibiu o uso da língua japonesa e as manifestações culturais nipônicas foram consideradas atitudes criminosas.
Com o término da Segunda Guerra Mundial, as leis contrárias à imigração japonesas foram canceladas e o fluxo de imigrantes para o Brasil voltou a crescer. Neste período, além das lavouras, muitos japoneses buscavam as grandes cidades para trabalharem na indústria, no comércio e no setor de serviços.
Atualmente, o Brasil é o país com a maior quantidade de japoneses fora do Japão. Plenamente integrados à cultura brasileira, contribuem com o crescimento econômico e desenvolvimento cultural de nosso país. Os japoneses trouxeram junto com a vontade de trabalhar, sua arte, costumes, língua, crenças e conhecimentos que contribuíram muito para o nosso país. Juntos com portugueses, índios, africanos, italianos, espanhóis, árabes, chineses, alemães e muitos outros povos, os japoneses formam este lindo painel multicultural chamado Brasil.

domingo, 17 de agosto de 2008

Xenofobia


Não bastava, entretanto, trocar um tipo de imigrante por outro. No século XIX os brancos cristãos tinham um forte preconceito contra todo o resto da humanidade, e no Brasil os asiáticos eram tidos como “negros amarelos”. Em 1880, Oliveira Martins, escritor e político português, chegou a publicar argumentos contra a imigração asiática afirmando que “a perigosa tentação de ir buscar braços a outro viveiro de raças inferiores prolíficas embriaga muitos espíritos”, e concluía com “um Brasil europeu e não asiático, uma nação e não uma colônia, eis aí o seguro porvir da Antiga América portuguesa”. Entre julho e agosto de 1892, o jornal Correio Paulistano publicou artigos de Francisco Cepeda que se referia aos asiáticos com expressões como “se a escória da Europa não nos convém, menos nos convirá a da China e do Japão”, e que “o chim é bom, obediente, ganha muito pouco, trabalha muito, apanha quando é necessário, e quando tem saudades da pátria enforca-se ou vai embora”.
Em suma, imigrantes japoneses não eram desejados no Brasil. Porém é fato universal que quando se há necessidade de trabalhadores, governos e contratadores tornam-se mais convenientes e menos exigentes. Assim, embora desde 1880 já se cogitasse no Brasil a vinda de imigrantes japoneses, nenhuma ação concreta foi realizada neste sentido até 5 de novembro de 1895, quando Brasil e Japão assinaram um tratado pelo qual ambos os países passaram a desenvolver relações diplomáticas, e mesmo contrariando a opinião pública brasileira, abriram-se negociações para a vinda de imigrantes japoneses, que chegaria às vias de fato só a partir de 1908.

Judô: O esporte japonês que mais trouxe medalhas ao Brasil.




O primeiro registro do judô no Brasil data do fim do século XIX, quando marinheiros japoneses fizeram uma exibição no Porto de Santos. A modalidade só chegaria de vez ao país no início do século XX, com o desembarque dos primeiros imigrantes, entre eles o mestre Mitsuyo Maeda, também introdutor do jiu-jítsu. De início restrito à comunidade nipônica, o esporte como é conhecido hoje deslanchou no Brasil após a Segunda Guerra Mundial. "Para preservar a identidade, os primeiros imigrantes japoneses se reuniram em guetos nas fazendas de café de São Paulo nas quais trabalhavam", afirma Celina Yano, de 42 anos, nipo-brasileira de quarta geração e organizadora das comemorações do centenário da imigração japonesa no Brasil, a ser celebrado no ano que vem.
No início, as dificuldades de integração dos imigrantes retardaram a disseminação do judô no Brasil. "Meu avô não aceitava alunos não-japoneses", diz Hitoshi Ogawa, dono de uma academia em São Paulo. Os nomes dos pioneiros campeões do país deixam isso evidente. Chiaki Ishii, o primeiro atleta a conquistar uma medalha olímpica para o judô brasileiro, um bronze em 1972, nasceu no Japão. De lá para cá, o esporte se difundiu e passou a fazer parte do currículo de muitas escolas. Existem no Brasil cerca de 500 mil praticantes. Apenas um em cada cinco é de origem japonesa. Ironicamente, no ano passado uma delegação de 15 atletas japoneses, entre eles o tricampeão olímpico Tadahiro Nomura, veio ao Brasil para aprender. "Os judocas brasileiros são muito bons na luta de chão", disse na ocasião o técnico japonês Hitoshi Saito.
O medalhista olímpico Tiago Camilo é o melhor exemplo da integração entre Japão e Brasil no judô: de família brasileira, aprendeu o esporte com professores de origem japonesa em Bastos, cidade do interior de São Paulo que tem uma importante colônia nipônica. Um dos primeiros mestres de Camilo, Uichiro Umakakeba, hoje com 61 anos, pisou num tatame pela primeira vez há quase meio século. "Antes, só havia japoneses praticando. Ainda bem que os brasileiros aceitaram e gostaram do judô", diz ele, que atende 90% de alunos de origem não-japonesa em sua academia.