domingo, 24 de agosto de 2008

Pra onde eles vieram



Os lugares para onde os imigrantes foram assim que chegaram.



A partir de 1920, com a ampliação do sistema de colonização de terras virgens no interior de São Paulo, o fluxo de imigrantes japoneses para o Brasil acelerou-se. Embora os imigrantes se dedicassem principalmente à atividade agrícola, os japoneses fundaram cidades como Bastos e Tietê, que hoje são importantes polos urbanos regionais do interior paulista, fundadas em 1928. Outras cidades, como Iguape e Registro no litoral sul paulista, concentraram muitas colônias de imigrantes desde 1917, e cresceram com a produção agrícola implementada pelos japoneses, especialmente no cultivo da banana e do chá. Já no interior os japoneses dedicaram-se a outros produtos, principalmente ao café e ao algodão, que na época era muito valorizado por ser matéria-prima básica da indústria têxtil. Em 1929 os primeiros japoneses desbravadores da região amazônica instalaram-se em Acará, no Pará (atual Tomé-Açú). No mesmo ano outras colônias foram assentadas no Paraná (Londrina) e em Goiás (Anápolis). Também naquele ano a Quebra da Bolsa de Nova York causou uma forte desvalorização do café brasileiro no mercado internacional, o que afetou muitos imigrantes. Aquela crise, acrescida do fato de que a população urbana no Brasil passou a crescer, levou muitos japoneses a se dedicarem ao plantio de arroz, feijão, batata e tomate para abastecer as cidades.
A imigração japonesa para o Brasil, apesar do apoio governamental, era essencialmente realizada por empresas privadas, entre as quais destacou-se a Kaigai Ijuu Kumiai Rengokai (Confederação das Cooperativas de Emigração) no Japão, fundada em 1927, e sua filial brasileira, a Bratac (contração de Brasil Takushoku Kumiai Ltda., ou "Sociedade Colonizadora do Brasil"). Em 1932 o Consulado Geral do Japão em São Paulo divulgou que 132.689 japoneses já haviam imigrado, e que mais 25 mil e 800 pessoas já tinham autorização para entrar no país no ano seguinte. Entretanto, desde 1930 o Brasil estava sendo comandado por Getúlio Vargas, militar que tomou o poder num golpe de estado, implantando um regime autoritário populista batizado de Estado Novo. A simpatia do governo novo por líderes autoritaristas europeus da época, como Mussolini e Hitler, refletiu-se no Brasil na forma de discussões a partir de 1932 visando baixar normas para restringir a entrada de imigrantes japoneses no país.

No período anterior à 2ª Guerra Mundial (1939-1945), os imigrantes japoneses tinham comportamento e valores parecidos com os dos atuais dekasseguis (brasileiros que emigram para o Japão a trabalho). Os imigrantes não vinham com o intuito de permanecer para sempre na nova pátria, mas o de economizar e voltar em alguns anos para a terra natal. Isso fez com que muitas famílias de imigrantes adotassem estilos de vida espartanos, até mesmo avaros, o que na época gerou um dito popular de que se podia "reconhecer o sítio de um japonês pela beleza de suas plantações e pela miséria de sua casa". E como a intenção era de retornar ao Japão, os imigrantes faziam muita questão de que seus filhos fossem educados como japoneses e que freqüentassem escolas japonesas. Em 1938 haviam em São Paulo 294 escolas japonesas (a título de comparação, haviam 20 escolas alemãs e 8 italianas). Mas haviam sinais de que muitos imigrantes já tinham o intuito de adotar o Brasil como nova pátria definitiva. O primeiro e mais claro sinal foi o início da construção do Nippon Byoin (Hospital Japão), atual Hospital Santa Cruz em São Paulo, em 1936. No mesmo ano um manifesto escrito por Kenro Shimomoto, primeiro advogado nipo-brasileiro, reconhecendo o Brasil como sua pátria, gerou polêmica na comunidade.

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