terça-feira, 19 de agosto de 2008

Razões da imigração


O Japão vivia uma crise demográfica desde o final do século XIX.
O campo e as cidades japonesas estavam superpovoados, de modo que, com as técnicas agrícolas da época, produzia-se apenas o que se consumia, sem formação de estoques. Qualquer quebra de safra agrícola causava fome generalizada.
O fim do feudalismo deu espaço para a mecanização da agricultura, o que desempregou milhares de camponeses. Outros milhares de pequenos camponeses perderam suas terras por não poder pagar os impostos, que passaram na era Meiji a ser cobrados em dinheiro, enquanto antes eram cobrados em espécie (produção agrícola).
Os camponeses sem terra foram para as cidades que ficaram ficaram saturadas. As oportunidades de emprego tornaram-se cada vez mais raras, formando uma massa de trabalhadores miseráveis.
A partir da década de 1880, o Japão incentivou a imigração de seus habitantes por meio de contratos com outros governos. Antes do Brasil, já havia imigração de japoneses em grande quantidade para os Estados Unidos (principalmente Havaí), Peru e México. No início do século XX, também houve gandes fluxos de imigração japonesa para colonizar os territórios recém-conquistados da Coréia e Taiwan. Somente Brasil, Estados Unidos e, em certa medida, o Peru, formaram grandes colônias de descendentes de japoneses. Os colonos japoneses instalados na Coréia e Taiwan retornaram ao Japão depois do fim da Segunda Guerra Mundial.
O Japão, que só tinha se aberto para o comércio mundial em 1846, até então era considerado muito distante física e politicamente do Brasil. O primeiro Tratado da Amizade, Comércio e Navegação entre Brasil e Japão foi assinado apenas em 5 de novembro de 1895.
Faltava mão-de-obra na zona rural paulista no início do século XX. Por volta de 1901, o governo do Brasil começou a estudar o recebimento de imigrantes japoneses, entretanto o preconceito era forte. Japoneses, assim como todos orientais, eram considerados raças inferiores que prejudicariam o "branqueamento" que ocorria no Brasil com o recebimento de imigrantes europeus. Havia o medo do "perigo amarelo", isto é, que as grandes populações de orientais (chineses e japoneses) se espalhassem etnica e culturalmente pelas Américas. Este medo tinha sido exacerbado pelo expansionismo militarista do império nipônico que derrotou a China em 1895e a Rússia, em 1905 (a primeira derrota de um país europeu em frente a um não-europeu nos tempos modernos). Finalmente, havia o sentimento de que o imigrante japonês era um "quisto inassimilável".
O encarregado de negócios da primeira missão diplomática brasileira no Japão, Manuel de Oliveira Lima, foi consultado em 1901 e deu parecer contrário ao projeto de recebimento de imigrantes japoneses. Escreveu então ao Ministério das Relações Exteriores alertando sobre o perigo de o brasileiro se misturar com "raças inferiores.
Francisco José de Oliveira Viana, autor do clássico "Populações Meridionais do Brasil" (1918), foi um dos ideólogos do antiniponismo, e escreveu que "o japonês é como enxofre: insolúvel".
Em 1902, o governo da Itália proibiu a imigração subsidiada de italianos para o Brasil. As fazendas de café sentiram a falta de trabalhadores com a diminuição da chegada de italianos e o governo brasileiro, então, precisou reconsiderar sua posição quanto ao recebimento de imigrantes japoneses. Em 1907, o Brasil criou a Lei de Imigração e Colonização que regularizou a entrada de todos imigrantes.

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